A história da Patrícia Paiva

Amamentar ou não nunca foi uma questão para mim, provavelmente por ter sido amamentada e por ter crescido a ouvir histórias de amamentação da minha avó, mãe e tia, que amamentaram todos os seus filhos, um total de treze, até depois dos dois anos, por isso costumo dizer que vim de uma família de amamentadeiras e penso que isso terá tido uma influência muito positiva no meu percurso.
Depois de uma gravidez passada a correr, entre dois trabalhos e o último ano do curso da faculdade, o meu filho decidiu vir mais cedo, às 36 semanas e sentado, talvez numa tentativa de me dizer que estava ali e que era altura da mãe lhe dar a atenção merecida…

O parto terminou numa cesariana, devido à posição em que ele estava, e no dia 13 de novembro de 2007 nascia o meu bebé, com apenas 2360 e 46 cm. E depois deste nascimento que estava longe daquilo que eu tinha idealizado e algum afastamento desnecessário entre mim e o meu bebé, finalmente trouxeram-me o meu menino. Assim que o coloquei junto ao meu peito mamou como se fosse algo que já fizesse há muito tempo, apesar de ter apenas pouco mais de uma hora de vida.

Penso que o maior desafio que tivemos foi por causa do peso e tamanho do meu bebé, por ter nascido pequeno e no percentil mais baixo, as pesagens causavam-me sempre alguma ansiedade, e estava sempre na incerteza de que o leite estivesse a ser suficiente. Lembro-me da primeira vez que pedi ajuda, porque queria manter a amamentação em exclusivo até aos seis meses, mas uma médica no centro de saúde fez-me duvidar, quando disse que tinha de introduzir as papas porque o meu filho tinha de aumentar de percentil, senão poderia ter problemas de desenvolvimento. Na altura contactei uma CAM e fiquei mais descansada quando me explicaram o significado dos percentis e me fizeram ver que o meu filho era pequeno, mas era uma criança saudável e com um desenvolvimento adequado à idade dele. No entanto, não fiquei segura o suficiente e quinze dias antes dos seis meses introduzimos as papas, na tentativa de o fazer engordar mais e, provavelmente por eu o estar a fazer contrariada e pelo facto do meu filho não estar ainda preparado, esta experiência não correu nada bem…

Passados quinze dias voltámos ao pediatra, que felizmente tinha voltado de férias, e este fez-me ver que não fazia sentido ter introduzido as papas, até porque ele engordou menos com estas do que estava a engordar com o meu leite, desvalorizou o percentil dele visto ser uma questão genética, e ao ver que eu estava triste por não ter cumprido o meu primeiro objetivo de amamentação, disse-me que não valia a pena “chorar sobre o leite derramado”! Sempre tive muito apoio por parte do pediatra, e sei que foi muito importante para eu confiar no meu leite e no meu bebé. Mais confiante e com o meu filho mais preparado, a introdução complementar fez-se com mais calma, ao ritmo dele, e sempre com mama à disposição, e aí começou a correr bem melhor!

Quando ele tinha oito meses, fui aliciada a fazer o curso de CAM, e nessa altura a vontade de saber mais e ajudar outras mães era muita, e aceitei o desafio. Adorei o curso, aprendi muito, não só com as formadoras, mas também com as mulheres que o frequentaram, e a partir daí senti mais segurança na amamentação, e tentava passar essa informação a todas as mulheres que se cruzavam comigo, nos encontros de mães ou nos acompanhamentos que ia fazendo, para que estas se sentissem capazes de cumprir as suas metas na amamentação, apesar das pressões externas.

Eu e a minha amiga Bárbara Correia um dia decidimos abrir um blogue, o nosso querido Mamar ao Peito, onde fomos colocando alguma informação sobre amamentação, de repente começámos a receber pedidos de ajuda, por email, telefone, ou comentários no blogue, aos poucos aquilo foi crescendo e passou a ser um projecto que adorámos ver crescer, com um site e muitas iniciativas, como passatempos e até alguns calendários de amamentação, no entanto por falta de tempo, acabou por ficar parado, apesar de ainda ser uma boa fonte de informação!

O tempo foi passando, e o meu filho foi crescendo, e passámos o meu segundo objetivo de amamentação, que eram os dois anos, nessa altura amamentar já era algo tão natural e fazia parte da nossa vida, pelo que não me fez sentido parar. Aguardei que ele me desse os sinais de estar preparado para desmamar e aconteceu quando ele tinha 4 anos e meio. Foi um processo muito gradual, muito respeitado, e mesmo muito natural, houve alturas em que duvidei que ele algum dia fosse parar por iniciativa própria, mas mais uma vez tive de confiar que o meu filho sabia o que era melhor para ele e quando é que se sentia preparado para largar a mama e foi o que ele fez, sem pressões, sem stress, ao ritmo dele!

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2 thoughts on “A história da Patrícia Paiva

  1. Bárbara Correia Nunes says:

    Foi e é um prazer partilhar contigo esta caminhada…
    Obrigada pela tua dedicação às mães, aos bebés… às famílias!!!
    A tua forma de estar é exemplar e é reconhecida por todos que tiveram o privilégio de ter o teu apoio ou de trabalhar contigo… sou uma privilegiada ?

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